Solta o som – oficina aborda uso da trilha sonora na composição de filmes

Medo, tristeza, saudade, alegria, empolgação, susto. Ao assistir um filme é normal sermos “transportados” para dentro da história, muitas vezes vivenciando o drama ou a alegria pela qual passa o personagem. Mas essa imersão na história não seria a mesma sem a trilha sonora, não é mesmo? Quer tirar a prova? Experimente assistir a um filme de terror no mudo. Certamente os sustos levados não serão os mesmos.

A música, seja ela cantada ou instrumental, possui grande impacto nos filmes. Ela auxilia a despertar as emoções que a produção deseja passar ao telespectador e em não raros casos ajuda a consagrar o filme. Quem não conhece a música aterrorizante composta por Bernard Herrman para a famosa cena do chuveiro do clássico do terror Psicose?

A música foi batizada como “O Assassinato” e mesmo quem nunca assistiu ao filme de Alfred Hitchcock reconhece o som aterrorizante e sabe o que ele significa: morte.

Mas para que a trilha sonora contribua de forma positiva no resultado final de uma obra cinematográfica ela precisa ser muito bem pensada. O compositor chamado para essa tarefa trabalha em conjunto com o diretor e roteirista. A equipe trabalha em cima dos sentimentos e ideias que se desejam passar por meio, ou com auxilio, da trilha sonora.

“Creio que antes do filme estar pronto a escolha é mais um sentimento, uma ideia, um clima, do que propriamente uma música pronta”, explica Gustavo Foppa, músico, compositor, produtor e sound designer.

Todo esse processo Foppa irá explicar na oficina “Música na Tela”, durante o primeiro Festival de Cinema de Santa Cruz do Sul. Ela ocorre no dia 25/10, a partir das 14 horas. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui.

Os tópicos abordados durante as 4h30min de atividade serão:

  • Música na tela: exemplos e narrativas;
  • Processos de criação: do lápis a máster;
  • Envolvimento: fluxo de produção e captação;

Conforme Foppa, a proposta da oficina é que o participante saia dela com conhecimento básico, mas completo, de como realizar e criar música sobre imagem. Para isso compartilhará seu conhecimento adquirido com base em experiências de trabalho que realizou, além de navegar pelo universo de outros artistas e obras.

“Iremos navegar por narrativas e texturas sonoras, abordarei termos técnicos básicos. Usando recurso de vídeo e som vou poder dar exemplos práticos dos temas, numa troca de conhecimento”, diz.

Alunos de Audiovisual, Comunicação, Música, produtores musicais, profissionais que trabalham com cinema, vídeo e áudio são o público-alvo. Mas pessoas da comunidade em geral que tiverem interesse também podem participar.

Ao final da atividade o participante terá uma vasta noção de como um compositor/músico se encaixa na etapa de roteiro, nas visitas ao set de filmagem e no fluxo com a ilha de montagem (diretor, roteirista, produtores), na etapa de pós-produção.

Bons exemplos

Foppa cita alguns exemplos de filmes que tiveram trilhas sonoras memoráveis e que foram importantes para a consolidação da obra cinematográfica. São elas:

Táxi Drive

“Trilha sonora composta por Bernard Herrmann que dá aquele clima da tranquilidade de andar no banco de trás de um táxi com a possibilidade do caos”.

https://www.youtube.com/watch?v=cXx4TUkD3UE

Deus e o Diabo na Terra do Sol

“Trilha sonora composta por Sergio Ricardo, Glauber Rocha e Heitor Villa-Lobos. Essa parceria de letras do Glauber musicadas pelo Sergio Ricardo e música de Heitor Villa-Lobos é um trabalho muito pensado e visionário”.

https://www.youtube.com/watch?v=tzuztLpk7Oo&list=PLEFF93571836ED346

Cidade de Deus

“Aqui um compilado de músicas que se encaixaram perfeitamente, trilha sonora muito elogiada e um ótimo trabalho de pesquisa e mistura de gêneros”.

https://www.youtube.com/watch?v=nE0BVwztBXs

The Good the bad and the ugly

“Trilha sonora composta por Ennio Morriconi, um clássico do mestre”.

https://www.youtube.com/watch?v=AFa1-kciCb4

Deixe uma resposta