Curta propõe reflexão sobre o feminino

Intenso, difícil e muito educativo. É assim que Thais Fernandes, 34 anos, diretora de Um corpo feminino, descreve seu processo de produção. No documentário, mulheres de diferentes gerações, classes sociais e origens são questionadas sobre como definem o corpo feminino e o que ele representa para a sociedade. “O filme nasceu como longa e no processo de lapidação da ideia virou um projeto transmídia, um curta e uma plataforma interativa, que ainda está em construção, acessada através do endereço   www.umcorpofeminino.com.br”, explica Thais.

Formada em Jornalismo pela Famecos/PUCRS e atuando na área cinematográfica desde 2006, ela assina também o roteiro, a pesquisa e a montagem do curta. Além disso, trabalha com teatro, em dramaturgia e direção, e pesquisa a narrativa híbrida – cinema, teatro e internet.​ Ela avalia um crescimento importante no cinema nacional ao longo dos últimos anos, especialmente devido ao interesse dos governos em alavancar o mercado com editais e outras formas de apoio. No entanto, mostra preocupação quanto ao resultado da próxima eleição, que segundo a diretora, pode levar a perda de direitos e ao comprometimento do mercado de trabalho na área do cinema.

Na produção de Um corpo feminino, Thais conta que desde o início a ideia era escutar a diversidade do feminino. Construído a partir de entrevistas, considera como as mulheres se veem e são vistas umas pelas outras. Cada uma delas, expressando com as próprias palavras acerca deste aspecto que as unifica. “Não fui em busca de respostas que corroborassem o meu olhar, mas sim, que nos ajudassem a enxergar como o “ser mulher” é diverso.  Não há uma forma única ou certa e a proposta do filme era provocar essa reflexão”, avalia.

A intensidade com que o assunto foi abordado mexeu com a equipe que trabalhou ativamente neste documentário. E, claro, com a diretora também. Ela revela que passou a entender o feminismo de outra forma e aprendeu a escutar as pessoas. “Saber escutar é uma habilidade que devemos exercitar sempre, todos os dias, especialmente quando se quer fazer filmes”, reflete.

          No curta, mulheres definem como é o corpo feminino em sua opinião (Foto/divulgação)

Para a cineasta, o curta trata de um tema urgente e importante. Sua seleção ao Festival Santa Cruz de Cinema para a mostra nacional, a deixa animada, ainda mais sendo no sul, em casa, como a porto-alegrense descreveu. “Fico feliz que o documentário ganhe espaço, porque os direitos das mulheres permeiam meu trabalho em muitas instâncias e precisam ser discutidos permanentemente”, afirma.

Nesta semana, enquanto estávamos em contato, Thais estava em Londres, representando o filme em um festival importante de lá, o BFI London Film Festival. Para ela, a carreira de festivais é parte essencial para um curta. “A expectativa que sempre tenho com o trabalho que fizemos é trocar com o público e com os outros realizadores. Estou ansiosa [pelo Festival Santa Cruz de Cinema] para ver os trabalhos que ainda não conheço”, revela.

Dentre os eventos, dos quais Um corpo feminino já participou, está o 46º Festival de Cinema de Gramado, no qual recebeu os prêmios de melhor curta gaúcho e melhor roteiro para Thais Fernandes. Além de ser um espaço para mostrar os trabalhos, a diretora considera os festivais um local para estimular os debates e a formação de plateia. No Festival Santa Cruz de Cinema, o público vai poder prestigiar o documentário no dia 25 de outubro, a partir das 19h15min, no Auditório Central da Unisc.

* Esta matéria faz parte de uma série de entrevistas realizadas com alguns dos indicados da Mostra Competitiva Brasil. Confira!

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