Documentário sobre corpo feminino encerra com chave de ouro Mostra Competitiva Brasil

As produções apresentadas durante a Mostra Competitiva Brasil, do Festival Santa Cruz de Cinema, tiveram como destaque a provocação e a reflexão para temas ainda tabus na sociedade. E na última noite de exibição dos filmes, não foi diferente. Nesta quinta-feira (25), mais cinco curtas-metragens instigaram a sair do lugar comum e, quem sabe, olhar de outra forma para assuntos já conhecidos ou que são evitados de falar.

Dentre os destaques da última noite de exibições, o documentário Um Corpo Feminino levantou o público ao trazer depoimentos de mulheres sobre o que elas pensam a respeito do corpo feminino. Com direção da gaúcha Thaís Fernandes, a produção foi a última apresentada na noite e segurou os aplausos da plateia por alguns minutos.

O grupo entrevistado foi composto por mulheres de diferentes idades, raça e classe social, contando inclusive com o depoimento de mulheres transexuais. Os relatos evidenciam como o corpo da mulher ainda está cercado de tabus, mesmo que empoderamento e feminismo sejam assuntos em alta nos últimos anos.

Thaís conta que o resultado visto no documentário também foi uma surpresa para ela. Isso porque pelo grupo entrevistado ser bem diversificado, contando com pré-adolescentes, jovens, mulheres de meia idade e da terceira idade, acreditou que haveria uma diferença no discurso entre gerações, sendo que as mais jovens, em tese, teriam manifestações empoderadas e transformadoras.

Porém, não foi o observado. Ainda que com palavras diferentes, a falta de conhecimento e reconhecimento pelo corpo feminino eram latentes em praticamente todos os discursos. Como resposta à pergunta: “para que serve o corpo da mulher?”, uma adolescente, por exemplo, respondeu que seria para “o homem usar”.

Um Corpo Feminino trouxe visão das mulheres sobre corpo feminino

Thaís diz que no total cerca de 50 mulheres foram entrevistadas para o documentário, mas, por questão de tempo, nem todas aparecem na versão final. Entre os discursos ela conta que existiam opiniões empoderadas. Porém, ainda assim esses discursos estavam acompanhados da preocupação pelo que os homens pensam sobre o assunto, junto com um conformismo com ideias machistas.

Por isso, escolheu evidenciar em Um Corpo Feminino um discurso diferente do seu. “Para mim, mulher branca, classe média, que está em uma posição privilegiada, é fácil falar sobre feminismo e ter um discurso empoderado, mas é preciso mostrar uma realidade diferente da minha”, afirma.

Thaís dividiu o palco e o debate após a exibição dos filmes com os realizadores, Alexandre Estevanato – Minha Mãe, Minha Filha; Cássio Hazin – Baunilha; Henrique Lahude e Gustavo Foppa – Fè Mye Talè e Lucas Rossi – O Vestido de Myriam.

Nesta sexta-feira, 26, acontece o encerramento do Festival com a entrega do troféu Tipuana aos vencedores. É a partir das 19h15, no Auditório Central da Unisc.

 

 

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