Jorge Furtado: “O cinema nunca vai acabar, governos passam, mas o cinema sempre vai ficar”

Por Ana Seberino
O 2ª Festival Santa Cruz de cinema teve mais uma noite de evento nessa quinta-feira (24) e dessa vez contou com a presença de Jorge Furtado. O cineasta gaúcho afirmou estar muito feliz por ser o homenageado da segunda edição e poder prestigiar a produções cinematográficas de todo Brasil: “é muito bom ver jovens fazendo cinema e pensando e planejando seus próximos trabalhos”, contou.
O diretor de “Ilha das flores” apontou que, para ele, filmes curta-metragem são mais autorais e inventivas, escapando as amarras financeiras que dificultam a produção de longas-metragens. “O curta você produz na cara e na coragem, muitas vezes você inventa, vai lá e faz”. Furtado também exaltou a diversidade do conteúdo dos seis curtas-metragens apresentados na noite: “vimos uma seleção de filmes aqui em que todos são muito diferentes. Você sai renovado, pensando nas várias possibilidades diferentes de fazer cinema, isso é muito bom.”
Um dos cineastas mais representativos da produção nacional, Furtado afirmou ter uma relação antiga com Santa Cruz do Sul: “o meu primeiro trabalho de diretor de equipe grande assim, com câmeras grandes e uma mega produção foi aqui em Santa Cruz”. A minissérie “Luna Caliente” foi exibida pela Rede Globo em três capítulos em dezembro de 1999 e se passou em Santa Cruz do Sul e Rio Pardo. “Passamos três meses aqui gravando, conhecia a comida e os barzinhos, então encontrar as pessoas é sempre bom”, relembrou.
Em tempos que o cinema brasileiro passa por ataques e desvalorização, Furtado afirmou que “o cinema nunca vai acabar, governos passam, mas o cinema sempre vai ficar”. Também destacou a importância de produções independentes e de sempre continuar: “Você precisa de uma ideia, um roteiro, uma equipe que pode ser pequena, um celular para gravar, computador para editar e depois você põe no Youtube. Não tem desculpa para não fazer filme mais”, finalizou.
O Festival Santa Cruz de Cinema encerra nesta sexta-feira, às 19h, no auditório central da Unisc com a divulgação dos ganhadores e entrega dos prêmios. Jorge Furtado receberá o troféu Tipuana, como forma de reconhecimento pela sua longa trajetória de contribuições ao cinema brasileiro.

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